domingo, 6 de setembro de 2009

Politica

Sob suspeita


PROCESSADOS BUSCAM BLINDAGEM


Candidatos do "Partido da impunidade" vão disputar a corrida eleitoral para ganhar foro previlegiado.


O eleitor pode negar o voto e evitar que tal fato ocorra, mas estão em fase adiantada as articulações de pessoas com problemas na justiça que pretendem concorrer às eleições de 2010 para conquistar imunidade e foro previlegiado. Devem disputar por diferentes partidos, mas é como se pertencessem a um só: um hipotético "PI", Partido da Imunidade/ Impunidade.

Já manifestaram intenção de se candidatar à Camara ou ao Senado, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, "o casal Estevam e Sonia Hernandes, dirigentes da Igreja Renascer", o delegado Protógenes queirz, que comandou a Operação Santiagraha, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) e o ex-deputado cassado juvenil Alves (PRTB-MG).

Caso a Câmara adote a idéia difundida nos bastidores de anistia aos ex-deputados José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Correa (PP-PE) cassados por envolvimento no escândalo do mensalão, eles tambem deverão concorrer.

"Infeslimente, essa é a realidade. Temos hoje os candidatos harbeascorpus. É uma tendência mostra o quão frágil é a política", disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE). " A lógica não é a da representação popular, mas a de aliviar situações, como se o Congresso fosse um santuário para aqueles que têm contas a acertar com a Justiça". Para Jungmann, a candidatura de integrantes do "PI" faz com que a reforma política se torne cada vez mais urgente.

O problema é que, se eleitos, os integrantes dessa bancada que busca se esconder da Justiça vão votar os projetos de reforma política. Aí eles poderão tornar a votação viciada e até impedir mudanças, diz o ciêntista político David Fleischer. Para ele, única saída para evitar esse tipo de manobra seria aprovação do projeto que cria as listas fechadas, sob responsabilidade dos partidos.

Fleischer, que é professor de Ciência Política da Universidade de Brasilia (UnB), considera que o casa Hernandes tem a eleição garantida. "Como líderes de uma igreja com milhares de fiéis eleitores, serão eleitos. Não resta dúvida".

Da bancada do "PI", só Roriz e o Juvenil Alves têm partido. Os outros estão em busca de um. Para se candidatar, Delúbio chegou a articular (e não teve êxito) a volta ao PT, de onde foi expulso na esteira do mensalão-esquema que pagava mensalidade para deputados governistas votarem em projetos de interesse do Planalto. O PMDB goiano ofereceu-lhe vaga.

O casal Hernandes pode ir para o DEM. Estevam e Sonia foram condenados por entrarem com dólares em excesso dentro da Bíblia nos Estados Unidos, onde ficaram presos até agosto passado. Respondem a processos criminais em São Paulo por sonegação de impostos. Protógenes deve entrar no PSOL, da ex-senadora Heloisa Helena.

Roriz renunciou ao mandato de senador para fugir de processo de cassação que investigava sua participação em rateio de 3 milhões, recebidos do empresário Nenê Constatino, sócio da Gol.

Juvenil havia sido eleito já no esquema de se livrar das ações judiciais. Em março, a Câmara declarou a perda do mandato dele. Procurador do casal Hernandes, o advogado Luiz Flávio D'Urso, diz não ter informação da pretensão política deles. Assessores de Roriz dizem que ele não sabe se será candidato a governador ou a senador.

Delúbio não respondeu aos recados. E JUvenil não foi encontrado.


Fonte: Jornal da Tarde (Domingo 10-5-09) 11A para APEI

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